Dia dos mortos.

3 11 2009

Ontem foi o dia em que lembramos os que já se foram. Muitas pessoas vão aos cemitérios trocarem as flores murchas sobre os túmulos por outras novas e coloridas e arrancam o mato à sua volta. Ironicamente enchem o cemitério com vida!

Acho um pouco estranho tudo isso. Na verdade não estamos indo ali para prestar uma homenagem aos que morreram. Talvez seja mais honesto dizer que vamos ali “matar” a saudade da melhor maneira possível. É claro que para alguns é quase apenas um ritual. No geral se leva flores, limpa-se o túmulo e gasta-se uma meio hora em frente a lápide orando, chorando ou simplesmente em  silêncio, pensando ou lembrando os momentos marcantes do que agora é osso e pó.

Quando penso em morte, lembro da afirmação do Cristo sobre a necessidade de negarmos a nós mesmos, tomarmos a cruz e o seguirmos. Ainda segue dizendo que se alguém quiser salvar sua vida irá perde-la mas quem perde-la por Ele a encontrará. Termina sua sentença perguntando: – Do que vale ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?!

Aí está uma pergunta interessante para pensarmos. De fato filosofar sobre esse tema pode levar-nos a várias conclusões. Negar-se a si mesmo é muita mais do que pensar: “não me quero mais!” como um hedonista arrependido. Talvez seja algo como abrir mão de tudo aquilo que penso ser  fundamental para o que eu  penso ser importante. Um carro melhor, uma roupa da moda, aquele celular moderno, uma Tv de plasma com muitos canais ou uma carreira brilhante. Enfim, algo que destaque o sucesso individual. Negar-se essas coisas talvez não fosse viver o avesso disso. Poderia ter-se todas essas coisas e ainda assim nega-las, não como quem joga fora um raro vaso chinês mas como quem o põe no canto da sala apenas como um artefato curioso. Falo isso porque não penso que Deus queira que sejamos pobres. O problema é que quando temos muito nos tornamos estranhos e nos afastamos d’Ele. Por isso que Cristo exalta os pobres junto com os humildes. Não é o que você tem mas como você usa o que tem.

A maior representação de humildade que vi na vida foi quando morrei na baixada fluminense. Durante o tempo que fiquei por lá, morava num casa sem luz, sem aguá e de móveis, um sofá velho, um rack podre e um guarda roupa aos pedaços(dormia em dois pedaços de espuma) As pessoas à minha volta não tinham muito mais do que isso. Mas nunca deixaram de dividir comigo comida, aguá, luz e acima de tudo, vida.

Li recentemente num livro (a arqueologia dos prazeres) que o verdadeiro prazer está em ser satisfeito com o que tem. Com muito ou pouco, a ambição pode trazer insatisfação mesmo para o cara mais rico do mundo. Creio que negarmos a nós mesmo pode significar  aprendermos a usufruir do que temos aqui e agora, deixando de alimentar aquele velho desejo que ter sempre mais. Isso não quer dizer que não devemos sonhar ter mais coisas na vida amanhã do que temos hoje. Significa curtirmos o que temos hoje ao invés de ficarmos na expectativa do que pode vir amanhã.

Pode parecer estranha essa analogia, mas pra mim isso é tomar a cruz. Não é fácil vivermos dessa forma. Porque no fundo queremos ser como os grandes conquistadores, que em algum momento da história foram os maiores de seu mundo. Negar isso é trocar a glória sonhada pelo desdém evitado. É ser o escravo na senzala e não o dono dela. Porém entender isso é ser um escravo que  serve alegremente ao seu senhor. Isso me faz pensar em outra pergunta: Quem é mais escravo? o homem que vive para o seu trabalho e seu alvo é ganhar o mundo ou o homem que trabalha porque vive e seu alvo é a vida em si?

Jesus Cristo é um exemplo e ser seguido por que era um homem que entendia que a vida é muito mais simples do que parece (estou propositalmente desconsiderando sua Divindade óbvia para que possamos ve-lo do ponto de vista puramente humano.) Como homem soube viver com o que tinha e desfrutar disso profundamente. Isso não tirou dele sua dignidade e muitos ouviam o que Ele dizia porque havia sabedoria em suas palavras. Era visível que seu discurso destoava do discurso dos fariseus e que seu estilo de vida era diferente  deles. Jesus veio mostrar como a vida pode ser completa de gozo em qualquer circunstância, se nessa vida estivermos nos relacionando com a fonte da vida-Deus. Como homem foi um grande profeta como nenhum outro foi porque morreu por aqueles que creram e os que não creram nele. Como Deus é o único que se humilhou para que o pudéssemos entender um pouco melhor, dando em si o exemplo de negar-se a si mesmo, tomar sua cruz e seguir em frente. Jesus se parece mais com o escravo feliz em servir do que com o dono da senzala.

Ganhar o mundo pode não ter em sua essência como resultado perder a alma. Seria dizer que se você come muito doce com certeza vai ter diabete. O que acontece é que normalmente quando alguém “ganha o mundo” se torna um pessoas diferente. Um homem que possui algo que os outro não possuem. Alguns chamam isso de realeza natural. Eu chamo isso de ego inflável.

Como nosso corpo, por mais que seja uma complexa e incrível invenção, não tem a capacidade de inflar como o ego faz, num determinado instante, acaba sendo pequeno para guardar o ego e a alma, tendo que abrigar um e se desfazer de outro. Essa escolha quase sempre é fácil para o corpo, pois é visto que o ego infla quando o corpo recebe o crédito por tantas conquista. Já a alma pouca serventia tem, afinal, a sabedoria do mundo mora no cérebro e quem a possui, não vê necessidade de ter qualquer outro tipo de sabedoria. Com isso, de malas prontos, a alma abandona o corpo e leva consigo qualquer consciência da pequenez da vida diante a grandeza do cosmo e seu Criador-Deus. Abraçamos o super homem de Nietzsche enquanto crucificamos o homem Deus.

Uma vez a que a alma abandona o corpo, um corpo sem alma é um corpo morto. Pode não ter consciência disso (pois a consciência a alma levara),mas anda por ai como um corpo vivo, que pensa com a sabedoria do mundo e cujo seu vazio o ego ocupa.artmarketwatch5-15-3 Porém a vida que somente uma alma pode ter, essa o corpo não possui mais. Sendo assim quando vemos games, ou filmes como “Resident evil”, a personagem com a qual nós deveríamos nos identificar mais, são os zumbis e não os mocinhos.

Quando alguém perguntou a Cristo se poderia antes de segui-lo, enterrar seu parente, Ele diz categoricamente: ” deixe que os mortos enterrem seus mortos”. Existe algo nessa afirmação que se completa com a outra citada acima. E a pergunta continua a soar. O que vale ganhar o mundo e perder alma? Do que vale ter tudo que sempre quis e morrer sem experimentar satisfação plena?! do que vale estar vivo usando a vida para ter tudo e morrer antes de poder conseguir isso? o que é a vida senão a ante-sala para a morte? vale a pena correr atrás do vento? ajuntar um tesouro que não se leva consigo em morte?  perguntas que se pode fazer quando se visita um túmulo….

No fim, tenho a impressão de que quando visitamos o cemitério, trazendo flores e vida, e diante das lápides ficamos contemplando o que o futuro certamente trará, do outro lado existem almas alegres de alguma forma livres do peso do mundo, cheias da sabedoria divina, felizes em sua realidade contemplando cadáveres em pé diante delas, cheios de ego, medos, pecados, dúvidas e dogmas.

(D.Distler)





Brasil porcaria?

27 10 2009

VEJA O QUE UMA ESCRITORA HOLANDESA FALOU DO BRASIL

Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil, realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos. Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não há nada automatizado.
Só existe uma companhia telefônica e pasmem!: Se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.

Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo – ou de lavar as mãos antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne.

Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal – e tem fila na porta.

Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador.

Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria e qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir pra lá dar aulas de ‘Como conquistar o Cliente’.

Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos.

Vocês têm uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa.

Os brasileiros são vitimas de vários crimes contra a pátria, crenças, cultura, língua, etc… Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para resgatar suas raízes culturais.

Os dados são da Antropos Consulting:

1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.

2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.

3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.

4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.

5.. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.

6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.

7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.

8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.

Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.

10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO- 9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.

11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.

Por que vocês têm esse vício de só falar mal do Brasil?

1. Por que não se orgulham em dizer que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?

2. Que têm o mais moderno sistema bancário do planeta?

3. Que suas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?

4. Por que não falam que são o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?

5. Por que não dizem que são hoje a terceira maior democracia do mundo?

6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?

7. Por que não se lembram que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?

Por que não se orgulham de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando.

É! O Brasil é um país abençoado de fato.
Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.

Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques.
Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.
Bendita seja, querida pátria chamada
Brasil!!






A gente é o que a gente come.

18 09 2009

Quando eu era criança, lembro que em inúmeras vezes, minha mãe me chamava  para uma tarefa da qual eu não apreciava muito: Escolher arroz. Naquela época, no interior de Santa Catarina, não havia como hoje há, aquele arroz que vem pronto para ser posto na panela. Tanto arroz como feijão ou qualquer outro tipo de grão necessitava de uma minuciosa pré-seleção antes de ir ao fogo. Recentemente eu e Lella ganhamos numa cesta básica, um pacote de arroz que também requeria esse ato de paciência e determinação. Algumas vezes por pressa, fome ou falta de entusiasmo, a escolha desse arroz fora feito de forma relaxada, tirando apenas a sujeira mais dramática, acreditando que o cozimento se encarregaria de  limpar as demais impurezas.

Pensando nessas coisas, percebi que em nossa vida muitas vezes comemos arroz sem escolher,na expectativa de que o tempo assuma a responsabilidade de remir os indesejáveis grãos que por ventura engolirmos e toda sujeira indigesta ser depositada no intestino do esquecimento. Algumas vezes temos o cuidado de iniciar uma pré-seleção de grãos. Porém durante o processo nos damos conta de como isso pode ser trabalhoso e demandar tempo assim como se tornar um exercício fatídico de repetições que alguns podem entender como disciplina. Como nem sempre temos tempo pra isso (entenda-se tempo por interesse), terminados essa árdua tarefa pela metade,deixando passar algumas carunchos.

Ao encararmos esse arroz como sendo nossos pensamentos, essa interpretação se torna ainda mais clara. Quantas vezes fugimos da responsabilidade de pensarmos ou repensarmos nossos valores como quem tem pressa pra comer logo, pois a fome (ou vazio) fala mais alto que o gosto da comida ou seu conteúdo nutritivo. Deixamos assim sermos enchidos, independente do teor que adentra nossas estranhas mentais, por vezes atrofiadas pela falta de exercícios. Assim como caráter não é forjado na tribulação mas sim apenas revelado, nossos pensamentos não se formam durante a discussão, apenas se revelam puros ou não.

Portanto, felizes são aqueles que com paciência e determinação escolhem bem o arroz que comem. Sem pressa e com precisão usufruem do prazer e a certeza de que o mais importante não é chegar ao fim da estrada, mas se manter reto nela. Assim como o apressado come cru (ou come sujeira), o precipitado cai no precipício porque não sabe esperar o ponte ficar pronta.

Agora a pegunta que cabe a nós responder a cada dia: você já escolheu seu arroz hoje?

D.Distler





O dom a amizade.

9 09 2009

  

O Dom da Amizade – Tolkien e C.S. LewisImagine um mundo sem “O Hobbit”, “O Senhor dos Anéis” e “As Crônicas de Nárnia”. Aliás, imagine também um mundo sem nenhum dos inúmeros livros, filmes e RPGs que essas obras clássicas inspiraram. Bem, assim seria o mundo caso J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis não tivessem sido amigos do peito.

 

Não é segredo para ninguém que esses dois britânicos, ambos pesquisadores acadêmicos e amantes da literatura fantástica, além de escritores de talento, só conseguiram produzir suas próprias obras seminais de fantasia graças à inspiração que deram um ao outro. Essa parceria, no entanto, esteve cheia de altos e baixos, tapas e beijos, e não chegou exatamente intacta ao fim da vida dos dois.

O jornalista e professor britânico Colin Duriez conta essa história fascinante, combinando-a com o desenvolvimento dos universos de ficção da dupla, no livro “O Dom da Amizade – Tolkien e C.S. Lewis”. Não se deixe enganar pela capa não muito imaginativa (enfiaram uma mata cheia de névoa e a imagem de um leão para representar a dupla de escritores). A leitura compensa – em especial para o fã de Tolkien, que tem a chance de conhecer melhor Lewis, hoje menos popular que o Professor por aqui, mas igualmente relevante e instigante.

Acompanhar a trajetória dos dois equivale, em parte, a seguir a história européia do século 20. Os dois perderam parte da família muito cedo e foram marcados, na juventude, pelo impacto devastador da Primeira Guerra Mundial (Tolkien e Lewis foram para o front no continente, e o segundo chegou a ser ferido em combate). Chegaram à idade madura debaixo da sombra dos regimes totalitários e da Segunda Guerra Mundial, e tiveram boa parte de sua visão artística e filosófica moldada por esses eventos.

C. S. LewisA dupla também teve em comum, desde cedo, a paixão pela mitologia, em especial a do norte da Europa, mas as semelhanças terminam aí. Enquanto Lewis se tornou um leitor eclético, capaz de acompanhar dos clássicos da Antigüidade greco-romana aos romances modernistas (embora decerto não gostasse muito desses últimos, em geral), Tolkien foi adquirindo um gosto cada vez mais específico, dedicando-se a aprofundar sua compreensão sobre o inglês antigo e o inglês médio, falados e escritos antes do ano 1400.

Fé e razão
Quando ambos chegaram à idade adulta, outro abismo havia se imposto: enquanto Tolkien tinha quase todos os aspectos de sua vida e pensamento definidos por sua profunda fé católica, Lewis tinha se tornado ateu. E assim poderia ter permanecido caso o erudito, nascido na Irlanda do Norte, não tivesse conseguido um cargo na Universidade de Oxford em 1925 – exatamente o mesmo ano em que Tolkien foi aceito como professor na prestigiosa instituição.

Não demorou muito para que os dois se conhecessem e se tornassem amigos, com interesses comuns sobrepujando as diferenças que existiam. E foi por meio de longas conversas e debates com intelectuais de sólida fé religiosa, como Tolkien e Owen Barfield, que Lewis começou a passar por uma virada em suas próprias opiniões sobre a crença em Deus.

O “gancho” usado por Tolkien – depois explorado no belo poema “Mythopoeia”, cuja tradução comentada pode ser baixada aqui na Valinor – tinha justamente a ver com os mitos. Lewis tinha se acostumado a pensar na mitologia como um conjunto de belas mentiras. Tolkien ia justamente no sentido oposto: a presença de elementos parecidos nos mitos do mundo todo indicaria uma verdade fundamental sobre o homem e o Universo. O nascimento, morte e ressurreição de Jesus Cristo teriam justamente incorporado esses mitos fundamentais, como se eles tivessem “vazado” para o mundo real. Deus era o maior dos criadores de mitos, o maior dos contadores de histórias.

Lewis, de fato, acabou se convertendo, tornando-se um cristão ardoroso, embora não um católico, como desejava Tolkien. E essa visão compartilhada sobre o caráter sagrado da fantasia e da criação de histórias passaria a guiar o trabalho dos dois e de seu círculo de amigos, os chamados Inklings, que se reuniam para ler suas novas obras e discutir todo tipo de assunto na Oxford dos anos 1930 e 1940.

Foi nesse círculo de amigos que Lewis encorajou Tolkien a concluir “O Senhor dos Anéis”, chegando a comover-se até às lágrimas com os capítulos da saga. Uma aposta entre os amigos – um deveria escrever uma história de viagem no tempo e o outro abordar uma viagem no espaço – também deu origem à história de Númenor (sim, até então só havia a Primeira Era de Arda) e à chamada Trilogia Espacial de Lewis, respectivamente. Aliás, o filólogo Elwin Ransom, herói da Trilogia Espacial, foi inspirado, em parte, no próprio Tolkien.

Mas nem tudo eram flores no relacionamento entre os dois grandes amigos. O primeiro pomo da discórdia foi o malucão Charles Williams, outro autor de romances fantásticos cuja obra fascinava Lewis mas deixava Tolkien com o pé atrás, por causa do interesse de Williams pelo ocultismo e de seus textos quase ininteligíveis. William veio morar em Oxford, passou a freqüentar as reuniões dos Inklings e gerou uma certa ciumeira em Tolkien.

J. R. R. TolkienOutras diferenças pessoais e literárias vieram criar tensões na amizade da dupla ao longo do tempo, como a falta de compreensão de Tolkien com o mundo de Nárnia (ele achava que Lewis não estava levando a mitologia suficientemente a sério em sua nova criação) ou com o papel de Lewis como um teólogo popular, tendendo explicar a religião cristã “básica” para as máquinas. (Como católico, Tolkien parecia acreditar que Lewis não era exatamente o homem mais indicado para esse serviço.)

Quando Lewis morreu, em 1963 (cerca de dez anos antes do Professor, portanto), fazia vários anos que a velha dupla não era mais tão próxima, vendo-se muito pouco. No fim das contas, porém, as diferenças que sempre existiram e que às vezes se aprofundaram nunca foram suficientes para submergir seu legado: o de uma tradição rica e poderosa de fantasia moderna, que talvez mantenha viva a chama da mitologia que eles tanto amavam por séculos a fio.





Como bêbados.

31 08 2009

…uauu..já faz um tempo que não escrevo nada aqui. É, confesso que andei  meio desanimado…. não que não tenha nada a dizer.

   Nem sempre a gente está motivado pra fazer certas coisas. No cotidiano de nossas vidas não é raro irmos empurrando com a barriga tudo aquilo que mais chato….seria perfeito  se esse exercício pudesse deixar nosso abdômem mais definido ao invés e horas de malhação (não a da T.V mas a da academia). mas ae não seria mundo..seria céu..

   Nem tudo aquilo que a gente começa com certo entusiasmo conseguimos chegar na metade com o mesmo vigor. Ás vezes pelas dificuldades que vão aparecendo, outras pelos confrontos ao nosso ego (ou desejos), e outras por preguiça. São poucos os que cruzam o vale escuro da chatice, do esforço, da luta, do crescimento e do orgulho. Sim, de fato a maioria deixa a dieta pra segunda feira porque na quarta tem rodízio e pizza…

   Na caminhada cristã somos assim também. Quando começamos estamos animados com todas as novidades mas aos poucos aquele brilho nos olhos, aquele fogo no coração parecem  perderem sua força. É chegada a hora do vale. O momento crítico, onde o que conta é o desejo de prosseguir, confiando que Deus está ali, conosco e logo adiante também.

  Muitos se preparam para uma corrida de 100 metros. Cheios de vigor, prontos pra arrebentar nos 100 metros e saem como corisco. Mas a vida cristã é uma maratona.  

  Podemos dizer que o cristianismo é uma estrada reta e segura que nos leva a salvo para um Reino fantástico. O problema é que nós andamos nela como bêbados. Ás vezes cambaleando pra esquerda, ás vezes pra direita, ás vezes parados na beira e outras caídos do lado de fora da estrada. Mas ela continua firme, mesmo que nosso passos se afrouxem. Mesmo que imaginemos curvas nela,ou buracos ou degraus…..mesmo que botemos pedágio nela…ou tentemos atalhos….a estrada continua como sempre foi..reta!

   Eis o desafio dos que cambaleiam em suas utopias: somente os sóbrios de espírito saberão andar nela. Mas também , para aqueles do nós…que ainda estão se curando do último porre (sua possível última ressaca)….segura no ombro do amigo ao lado e siga firme…porque juntos somos melhores!





Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar…..

2 07 2009

  Muitas vezes ouço as pessoas dizerem que vivem pela fé. Outras que gostariam de viver pela fé e ainda outras que não fazem a mínima idéia do que isso significa. 

  Desde que comecei a minha “caminhada de fé”, esse conceito de viver por ela, tem amadurecido. Lembro de coisas que ouvia de pessoas que já eram missionárias muito antes do que eu e me perguntava: será que é assim mesmo?!

 Tivemos vária oportunidades (principalmente depois de casados) de experimentar essa providência divina. Não foram poucas as vezes que fomos surpreendidos por Deus, através pessoas que  ouviram Sua voz e obedeceram. Porém na maioria das vezes, por mais que soubéssemos que Deus proveria, sempre ficava aquela ponta de angústia e dúvida…..

  Estou compartilhando isso porque hoje sei que viver pela fé é um processo lento de crescimento na dependência e profundidade no relacionamento com Deus. Você não começa simplesmente confiando plenamente como alguns pessoas  dizem. Você começa escolhendo mudar sua mente e viver essa mudança passo a passo. É como uma gravidez. A mulher pode saber que está grávida na primeira ou segunda semana e gestação. A partir disso ela está comprometida com uma nova vida e todas as mudanças que isso implica. Porém a maior parte dessas mudanças ainda vai acontecer. No processo a gestação, todo enjôo, mudança no corpo, desejos estranhos e dores do parto, não são maiores que a alegria que a gravidez traz em seu final. Na verdade, é o início de um novo e longo ciclo.

  Isso me lembra Pedro andando na água até Cristo mas afundando no meio do caminho. Depois negando Ele para para então..no fim morrer por Ele,não sem antes viver por Ele, com plena fé.

  Esta semana aconteceu de novo. Eu e Lella tínhamos R$10,oo pra passar a semana. Não tínhamos quase nada de comida e na verdade precisávamos, além de comida, outra coisas. Tive que fazer a revisão do carro porque vamos viajar semana que vem. Raspei o caixa,inclusive um dinheiro que estávamos guardando pra comprar um móvel pra cozinha (ainda não temos onde por louça,comida, etc). Na terça um casal e amigos nossos (Alceu e Carol) vieram nos visitar. Queríamos fazer um jantar para eles. Então Lella sugeriu fazermos um macarrão. Com R$ 10,OO dá pra comprar a massa, uma cebola e um refrigerante. Foi nessa hora que percebi o quanto estava calmo e tranquilo. Iríamos gastar “todo nosso dinheiro” e ainda era terça feira. Isso não estava tirando a paz nem da Lella nem minha. Era como se não importasse mais ter ou não dinheiro para o resto da semana. Comentei com Lella sobre isso e até rimos sobre o assunto. Então quando estava pegando a carteira para ir ao mercado o telefone tocou. Era Carla e sua mãe dizendo estar em frente ao nosso prédio com “algumas coisas” para nos dar. Eram compras de mercado. Incluindo macarrão,extrato e tomate, creme de leite….inacreditável! A diferença dessa vez para as outras não foi o fato de sabermos que Deus proveria. Ele sempre o fez. O fato é que dessa vez não estávamos na neura da provisão. Nem esperávamos. Mais confiávamos que Deus está o comando. Foi maravilhoso receber aquelas compras não pela provisão em si mas por perceber que mesmo sem a gente ficar “pentelhando” Deus, Ele é fiél aos que buscam nEle. Sem contar que é muito melhor ganhar presentes como este do que ter dinheiro para compra-lo. Existe um lance que une mais as pessoas quando isso acontece.

 Na terça ainda , enquanto jantávamos com nossos amigos, o telefone outra vez tocou. Agora era um convite inusitado para  tocar com um outro amigo (Martim) na quarta e ganhar uma graninha. Mais uma vez me senti aprendiz da  vida pela fé e as forças que atuam misteriosamente por tráz dela.

  Ae você pode estar se perguntando : “será que é assim mesmo??!”. Bom deixa eu lhe dizer uma coisa. Se você tiver fé do tamanho de um grão de mostarda, poderá dizer a uma montanha -“saia daqui e vá pra lá” e ela o fará. Mas se você também duvida disso, então só posso te convidar a sair da sua bolha e buscar além daquilo que você  vê, a resposta para essa pergunta.  Isso também vale para quem sabe que o que estou falando é verdade mas nunca teve a chance de experimentar na prática algo assim.  Parafraseando Gil, posso cantar talvez até com mais convicção que ele mesmo……andar com fé eu vou..que a fé não costuma falhar..andar com fé eu vou..que a fé não costuma falhar…..cantemos juntos!!!

 

 

D.DISTLER.





Mudanças….

26 06 2009

    Ae gente, desculpem tanto tempo sem escrever….algumas viagens e outras coisinhas tomaram nosso tempo.

   Falando em tempo, algumas pessoas dizem que as coisas acontecem em três: três alegrias ou tristezas, três grandes acontecimentos…três surpresas..enfim….trêsOs-tres-porquinhos_01!  Estes dias vieram para nós três mudanças. Como dizia antes, a primeira delas tem haver com o tempo (no sentido climático  palavra).

  Umas duas semanas atrás viajamos para Manaus para trabalhar num acampamento com jovens e uma igreja local. Trocamos o frio o sul pelo calor do norte. Foi uma experiência muito legal. Além de rever velhos amigos, pude conhecer um pedaço da Amazônia (dizem que ela está acabando). A Lella já tinha estado lá uma vez. Passeamos pelo Rio Negro e vimos o encontro das águas.  Vimos muitas coisas aliás…uma viagem dessas que a gente curte a beça… agora estamos atentos com a subida do Rio Negro…. tem subido cada diz mais….cara é muita água…espero que essa mudança não esteja afetando nosso amigos….uma pena saber que tem gente perdendo casa e tudo mais…não é o tipo de mudança que a gente gosta…

    Bom na volta de Manaus, após chega em Curitiba, tive que correr até sampa pra tentar o visto pra uma viagem aos States. Uma turnê com o Zilero de 20 dias. O interessante é que teria tudo pago. Já estava tudo certo. A Lella já estava conformada e eu traçando meus planos em relação a viagem. Mesmo com a gripe suína a todo vapor, nada disso seria entrave nessa parada. 

  Cheguei no Tiête as 7 da matina e de lá, junto com Thais, irmã do Tig, que veio me buscar, rumamos para a embaixada americana. Três horas depois chegamos lá! Aquela correria básica pra tirar foto, pega papelada e tudo mais (lógico que foi tudo em cima da hora né). Finalmente na fila…depois no meio dela fiquei sabedo de outras duas coisas que precisava fazer…sai, voltei, sai , voltei de novo…ufa…finalmente entrei…numa fila maior ainda. Beleza, pensei, foram 4 horas e meia de espera! Com o estômago na costela mas com aquela fé de que tudo daria certo. Finalmente minha vez. A americana que me atendeu não esboçou nenhuma alegria em me ver. Bem séria me pediu os papéis, analisou e me fez perguntas simples como: ” por que você quer ir pra lá?! fazer o que? tem comprovante de renda? ” e por ae…o Tig falou que era pra eu responder como se viajar pelo mundo fosse a coisa mais nomal do mundo…rss…então falei: ” cara tenho esses papéis ae e mais nada…vo pra lá com uns amigos e tal…olha..tentei ser bem natural..bem legal…se não fosse casado poderia até ter dado uma cantada nada. Mas a muralha apenas me disse secamente: ” seu visto foi negado mané! cai fora!” ela deve ter pensado…

  Cara sai de lá meio sem saber o que fazer. Claro a gente sempre deixa nas mãos de Deus….mas eu tinha certeza…putz…visto negado!

  Bom meus planos mudaram. Isso não foi ruim. Foi uma experiência. A Deise, esposa do Tig tentou duas vezes antes de conseguir!..bom…tento pensar que se fosse pros States. pegaria a gripe suína e morreria por lá, ou acabasse preso ou sei lá. De qualquer forma fica pra próxima.

   Ontem quando comecei escrever este texto, estava envolto por um monte de caixas cheias de coisas e um guarda roupa desmontado. Isso porque estávamos de mudança. Alguns dias atrás nosso pastor comentou que havia um apartamento mais barato e maior e mais perto da igreja. Nós não tínhamos planos de mudar. Chegamos em Curita em janeiro e por mais que nosso ap fosse pequeno (pense num ovo de ema), gostávamos de lá…era nosso cafofinhozinho…. Hoje, sexta feira, começamos e termimando parte da mudança. No momneto estou sentado num outro quarto cheio de outras caixas..mas o guarda roupa já montei…ufa! Aqui é legal…bem maior mesmo..acho que seremos bem felizes. A Lella meio down hoje..essas mudanças nunca são fáceis. Apenas depois que mudamos é que conseguimos ver se foi  pra bom ou pra ruim. De qualquer forma as mudanças sempre são bem vindas porque fazem da nossa vida algo mais dinâmico. 

  Daqui a pouco o Gustavo e a Lizie vem pra cá. Vão trazer um rango pra gente….já que está tudo bagunçado aqui…eu tinha pensando em pizza…mas como a circunstância mudou…fica pra próxima….se as coisas não mudarem até lá….

D. Distler.