Video clipe do documentário Dia de luz

25 03 2009
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NICARAGUA 2009

25 03 2009

 

  Pura água em Managua!

 

  No domingo a noite dia 08 de março por volta das 23:00 recebi um telefonema do Tiaguinho no melhor estilo ” de última hora” me dizendo: “- cara você precisa estar no dia de luz na Nicaragua. O Brad pediu pra te chamar. O voo sai amanhã meio do aeroporto de guarulhos”. Nem preciso dizer a correria que foi a madrugada. Me despedi da Lella meio sonolenta as 4:00 da matina e fui correndo para o aeroporto de Curitiba pra fazer a conexção.

  Na verdade a passagem pra Nicaragua ainda não estava comprada. Lá no aeroporto em guarulhos, 10 minutos antes do fechar o check in, finalmente o bilhete estava na mão. Foram 7 horas até Panamá mais 2 horas até Managua, capital da Nicaragua. A viagem teria sido entediante se não fosse meu parceiro de viagem, desta vez: Marcos, percussionista que estaria juntos com Brad .

  Voltar a Nicaragua foi emocionante. Da primeira vez, a correria foi a mesma mas partimos da Vila do Louvor eu e Willian, fotografo, sem saber o que nos esperava. Passamos uma semana bem louca arranhando um portunhol e um inglês sem vergonha no meio de 200 gringos que faziam um espécie de “turismo missionário” no lixão de Managua. Durante um semana visitavamos “la chureca” (o lixão), abraçamos crianças sujas, visitamos famílias e tiramos fotos daquele lugar quase surreal para os americanos e tão normal para nós, latinos.

foto por  Luiz Maximiano.

foto por Luiz Maximiano.

  A semana terminou com um concerto em la churreca com uma estrutura bem legal, onde tive o privilégio de deixar uma canção para aquele povo chamada “una rosa”,em português, espanhol e inglês, que foi gravada depois com a galera do Zilero.

    O trabalho  fica por conta da Ong “Love, light and Melody,onde  Daniel, americano que largou os States por “la churreca”, é o responsável. Essa ong tem seu foco na melhoria de vida do povo que mora no lixo mas acima de tudo, semear o amor de Cristo lá. Casas, escolas e  a igreja fazem parte do cenário de “la churreca”. Creio que muitos nunca sairam dali. A fumaça e cheiro forte se misturam com carcaças do animais, restos de comida em decomposição, coisas de todos os tipos emboladas formando uma massa quase artística e muito lixo hospitalar.

   No meio disso tudo, homens e mulheres cavocam entulhos em busco do metal ou qualquer coisa de possa se vendida ou trocada. As crianças, algumas nuas, ficam brincando por ali cobertas de um pó cinza, outras ajudam seus pais no estranho garimpo daquele lugar.

foto Willian Olivato

foto Willian Olivato

   Tudo isso pode ser visto no documentário “Dia de luz” , gravado ano passado, quando estive lá. A idéia desse documentário é , além de mostrar isso ao mundo, levantar fundos para a ong Love light and melody poder investir ainda mais em seu propósito.

  Tudo isso estava passando pela minha cabeça na fila do vista no aeroporto de Manágua. Chegamos a noite desta vez.    Eu e meu amigo estávamos cansados da viagem e logo na fila encontramos Luiz, Fotografo que veio também. Ficamos no terminal uns 40 minutos sem saber se alguém viria buscar a gente ou não.  Depois do suspense fomos recebidos por Birmark, responsável pelas vans que levam e trazem a galera pro dia de luz.

   Desta vez a equipe foi bem menor. Umas 40 pessoas ao todo, a maioria que esteve no ano anterior. Também nosso tempo foi mais organizado e direcionado. O dia de luz 2009 teve várias coisa interessantes.

  A primeira coisa que fizemos quando chegamos me “la chureca” foi tentar rever alguns conhecidos do ano passado. Depois disso o que fizemos foi visitar algumas famílias, previamente cadastradas na ONG, fato que definiu o envolvimento ou não das famílias com a programação do dia de luz. Nessas visitas o que levamos foram mudas de árvores para plantar naqueles quintais cinzas. Um espécie de “marco da vida”. Foi a diversão das crianças.   

 

foto: Austin

foto: Austin

   Na parte da tarde do primeiro e segundo dia, investi meu tempo na composição de uma nova música. Dia de luz, em espanhol.

   Numa das manhãs bem cedo, as mulheres ficaram responsáveis por dar “up grade” na mulherada da “la chureca” .Mãos e pés e maquiagem foram a máxima nesse dia. Teve também um dia de brincadeiras. Gincanas que valiam algum prémio. A criançada fez a festa! Em meio a tudo isso alguns artistas deixaram muros brancos enquanto outros artistas criavam desenhos por cima, trazendo um pouco mais de arte em meio aquele estranha arte maior, que era o lixo em sua essência.

  Na quinta foi muito legal. Fomos todos nós com os casais cadastrados na ONG para um mosteiro de freiras, onde, as mulheres se embelezaram enquanto os homens tiveram uma palestra sobre ” o que ser realmente um homem”. No fim cada homem bem perfumado com uma flor foi encontrar sua mulher para juntos terem um  jantar com direito a música e tudo. 100_3938100_4011100_4001

    Tivemos um momento tenso nesse dia. Um dos homens da chureca teve um “piripaque” no coração e chegou a ficar como morto por alguns minutos. Impressionante com bastou começar a orar e antes mesmo de terminar a primeira frase da oração, que iniciara com o nome de Jesus, ele voltou a vida. Foi encaminhado para o hospotal e no outro dia já estava bem. Ficou claro que foi algo espiritual, que tentou roubar a cena. 

  Na manhã seguinte mais um problema: uma família de “la chureca” perdera a casa num incêndio na noite anterior. O que já era triste, ficou ainda pior. Só sobrou um monte de cinzas. Fomos lá ajudar a limpar o local e tentar de alguma forma amenizar tudo aquilo. Não podíamos fazer muito mas creio que o pouco que fizemos fez um pequena diferença.

  Neste dia foi o concerto ” Dia de luz” .Além da música, teve futebol e outras brincadeiras e também um almoço gratuito para as famílias cadastradas na ONG, tudo controlado com pulseiras para identificar. Isso é um forma de incentivar as demais famílias a participarem. O show foi incrível! Toquei junto com Brad as suas músicas e pude cantar as duas canções que escrevi para aquele povo: Una rosa, que muitos  se lembraram e cantaram junto e a nova, Dia de luz. Essas músicas tocadas ali, tiveram o seu máximo sentido e me soaram com profecias naquele lugar. Com certeza uma experiência inesquecível.

  No dia seguinte ainda fomos a praia com algumas famílias da “la chureca”, que ganharam como prêmio, passar um dia na praia, com direito a lanche e tudo. Depois num hotel próximo dali, desses beira mar com piscina, galera surfando e tal, rolou um festival beneficente promovido pela Love, light and melody para levantar fundos. Tocaram várias bandas locais e encerrou com Braddigan e sua trupe. Bem bacana.

  dsc07072Uma semana depois estava em casa. Ficou no coração aquela estranho sentimento de quão pequeno esse mundo é. Saímos em missões assim com aquele espírito pronto para abençoar os que julgamos necessitados mas aos poucos podemos perceber que os realmente necessitados somos nós. Vi vários americanos carregando crianças nicaraguenhas e rodando com elas e pondo elas em suas costas como velhos amigos e pude reparar no sorriso e alegria nos rostos de cada uma delas que corriam de braços em braços atrás de um pouco mais de afeto. No entanto foi nos olhos dos amerianos que se podia ver um brilho novo se ascendendo, como quem descobre um universo nunca antes sonhado. Um parede que aos poucos desaparecia  no meio daquela fumaça e pó, no fim do dia, todos eram iguais, sentindo o mesmo afeto mutuo.

foto: Willian Olivato

foto: Willian Olivato

  Com certeza nossa presença pôde ser um pequena porção do amor de Deus. Porém é  impossível andar por aquelas ruas e visitar aquelas casas sem sentir a presença de Deus ali, sorrindo e chorando com eles, trabalhando no lixo com eles, compartilhando a mesma vida. É impossível sair de lá sem a sensação de ter estado com Cristo, visto seu rosto brilhando no meio daquele cinza.

foto: Willian Olivato

foto: Willian Olivato

 

foto: Willian Olivato

foto: Willian Olivato

   Não podemos esquecer que muitos em “la chureca” morrem por Aids, por drogas ou por outras coisas que jamais saberemos. Não podemos esquecer das mulheres e meninas estupradas e as abandonadas pelos maridos. Nem podemos nos esquecer que todo lixo que está lá somos nós que geramos. Nisso tudo temos nossa porção de culpa e remissão.

  No fim, o Dia de luz é mais do que fazer algo por eles. É fazer algo por nós. Por nossa humanidade.

  Além disso o precioso tempo com amigos, desses que fazemos pelo caminho ,Entre uma Tonã e uma tortilha no fim da noite, aquelas conversas que não dizem nada, mas dizem tudo.

  Existe uma chance do dia de luz vir para o Brasil. Se acontecer de fato será no morro do Borel. A idéia é que o dia de luz se torne algo que possa ser vivido em outras nações. Espero que sim!

  Um abraço aos amigo: Tig e Deise, Luizão, Brad, Marcos Cezar, Austin, Lizza (as duas), Sarah, Priscila(que ajudou na tradução para o espanhol) Maya (pelas tonãs), Olivato (pela lembrança), Rey e claro….povo de “la chureca”.





Dia delas!

8 03 2009

  Acho muito legal ter um dia pra homenagear elas, que são as beldadesm perfeitas para nós, homens. Uma flor, um café da manhã…ou até algo mais (isso vale para os casados) são parte desse dia…não se pode esquecer.

  Creio que o primeiro dia das mulheres foi quando Deus fez a eva. Ah, se eu fosse adão teria com certeza feito um festa nesse dia. Por mais que história insista em dizer que foi por causa dela que o homem cedeu ao pecado(eva devia ser um gata heim!) ,não consigo imaginar um mundo melhor sem elas! O amor da mulher amada, o cuidado da mãe, a leveza de seu universo particular, sua beleza misteriosa, aquela força que brota nos momentos cruciais que as levam a fazer coisas incríveis, suas conquistas profissionais e aquele toque delicado que refina qualquer ambiente, tudo isso me faz crer que um dia só é pouco pra comemorar esta deliciosa criação de Deus. 

D.Distler.





Tenho saudades dos cachorros de Angola.

6 03 2009

 

 

        Passei 45 dias em Angola. Foram dias muito intensos na minha vida. Intenso porque Deus quis me moldar. Moldar minha identidade, minha força, minha dependência…tudo isso por Ele e nEle. Foi tudo tão rápido e forte que até hoje estou processando. Sei que tem coisas que eu ainda não acredito…por incredulidade minha mesmo. Sei que tem coisas que ainda não consigo viver 100%, talvez nem 10%. Mas estou batalhando pra conseguir, não fazer essas coisas funcionarem na minha cabeça, mas olhar pra Deus que vai fazer isso por mim. Sei que eu, sozinha, não consigo. Eu sei! Por isso Preciso dele…só posso precisar dele, meu mestre!

 

        Mas lá em Angola tinham 2 cachorros. sempre troco o nome deles. Que eu me lembre um se chamava Golias e o outro Faraó. Falavam que eles eram maus. Nunca percebi isso. Conosco eles eram dóceis, obedientes…amigos. verdadeiros amigos. Fazíamos muitas coisas engraçadas com eles…sacudíamos o focinho fingindo cumprimentar alguém, enrolávamos eles na terra…fazíamos cada coisa! Era muito divertido! Dávamos boas, mas boas risadas. E as risadas eram aquelas de lavar a alma. E eu precisei de muitas daquelas!

        O Golias era o pretinho. O Faraó era marrom com olhos cor de mel. Eram lindos vira-latas metidos a labradores que corriam atrás das cabras quando mandados. Era a nossa diversão. Eles tinham os dentes tão brancos, mas tão brancos, eram mais brancos que os meus, com certeza! Dá pra imaginar?

 

         Pois é. Eles acompanharam nossa jornada naquele lugar. Viram minhas lágrimas, meus sustos, meus acessos de raiva, viram tudo. E ficavam lá, aos nossos pés, curtindo nossa presença. Tenho saudades deles! tenho saudades daqueles cães. Mas tenho saudades também das pessoas que fizeram  parte da minha jornada pessoal lá: O Gui, o Matheus, Rafael, Danilo e Deise, Vanessa, Caio…pessoas que participaram do trabalho de Deus em mim. Julia…minha amiga Angolana. O que será que ela está fazendo naquela terra tão preciosa, mas tão falha assim como a minha. Não sei o que dizer dela. Mana Ju…minha mana. 

Sei que tenho saudades…de tudo, de todos…até dos desafios…pois tudo coopera para o bem, tudo. Hoje eu sei.

 

        No retorno ao lar, saimos bem cedinho, as 5:30 da manhã. Estavam todos dormindo. Mas os cães não. As meninas entraram na cabine da camionete e os meninos foram atras, na caçamba, como era de praxe nas nossas idas e vindas a cidade e pegamos estrada rumo a rodoviária. Quando percebemos, Golias e Faraó corriam incansavelmente atrás da caminhonete, atrás de nós. Atrás de todos os carinhos e brincadeiras que fizemos com eles. Corriam, corriam até que não puderam mais nos alcançar. 

        Essa foi a última imagem que tivemos deles. Pra nós, uma grande expressão de amor. Pra eles, um bando de gente maluca que simplesmente trataram eles como eles mereciam. Bons e amigos cães.

Rafaella Henriques.