Quando eu era criança, lembro que em inúmeras vezes, minha mãe me chamava para uma tarefa da qual eu não apreciava muito: Escolher arroz. Naquela época, no interior de Santa Catarina, não havia como hoje há, aquele arroz que vem pronto para ser posto na panela. Tanto arroz como feijão ou qualquer outro tipo de grão necessitava de uma minuciosa pré-seleção antes de ir ao fogo. Recentemente eu e Lella ganhamos numa cesta básica, um pacote de arroz que também requeria esse ato de paciência e determinação. Algumas vezes por pressa, fome ou falta de entusiasmo, a escolha desse arroz fora feito de forma relaxada, tirando apenas a sujeira mais dramática, acreditando que o cozimento se encarregaria de limpar as demais impurezas.
Pensando nessas coisas, percebi que em nossa vida muitas vezes comemos arroz sem escolher,na expectativa de que o tempo assuma a responsabilidade de remir os indesejáveis grãos que por ventura engolirmos e toda sujeira indigesta ser depositada no intestino do esquecimento. Algumas vezes temos o cuidado de iniciar uma pré-seleção de grãos. Porém durante o processo nos damos conta de como isso pode ser trabalhoso e demandar tempo assim como se tornar um exercício fatídico de repetições que alguns podem entender como disciplina. Como nem sempre temos tempo pra isso (entenda-se tempo por interesse), terminados essa árdua tarefa pela metade,deixando passar algumas carunchos.
Ao encararmos esse arroz como sendo nossos pensamentos, essa interpretação se torna ainda mais clara. Quantas vezes fugimos da responsabilidade de pensarmos ou repensarmos nossos valores como quem tem pressa pra comer logo, pois a fome (ou vazio) fala mais alto que o gosto da comida ou seu conteúdo nutritivo. Deixamos assim sermos enchidos, independente do teor que adentra nossas estranhas mentais, por vezes atrofiadas pela falta de exercícios. Assim como caráter não é forjado na tribulação mas sim apenas revelado, nossos pensamentos não se formam durante a discussão, apenas se revelam puros ou não.
Portanto, felizes são aqueles que com paciência e determinação escolhem bem o arroz que comem. Sem pressa e com precisão usufruem do prazer e a certeza de que o mais importante não é chegar ao fim da estrada, mas se manter reto nela. Assim como o apressado come cru (ou come sujeira), o precipitado cai no precipício porque não sabe esperar o ponte ficar pronta.
Agora a pegunta que cabe a nós responder a cada dia: você já escolheu seu arroz hoje?
D.Distler
Preguiça,medo,apego…tudo isso faz a gente brecar nosso desenvolvimento ( no caso,mental) na vida!Vale mesmo é perceber como isso é importante e fazer uma força,ou muitas vezes,não impedir que ele aconteça por fatores irrelevantes! A reflexão nos fortalece e nos torna mais preparados para os revezes da Vida!
Deus abençõe a viagem de vocês!
Em nome de Jesus,amém!
Beijos,Taian.